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3 de março de 1996: O dia em que o Pegasus decolou


Sobre o Autor: Slava Artaev
Viatcheslav “Slava” Artaev é uma das principais autoridades em espectrometria de massa por tempo de voo (TOFMS). Slava foi, e continua sendo, um membro fundamental da equipe responsável pela plataforma GC-TOFMS LECO Pegasus. Hoje, ele continua a impulsionar a inovação na LECO como diretor técnico de pesquisa e desenvolvimento em ciência da separação.
Hoje, enquanto a LECO comemora o 30º aniversário do Pegasus GC-TOFMS, relembramos um legado de inovação que redefiniu os limites da ciência da separação. Lançado em março de 1996, o Pegasus foi mais do que apenas um novo instrumento; foi um salto tecnológico que trouxe velocidade e clareza sem precedentes às análises químicas complexas. Para marcar as três décadas dessa plataforma líder do setor, pedimos àqueles que estiveram presentes desde o início que compartilhassem suas histórias.
Reflexões de Slava Artaev
30 Anos Depois
Trinta anos atrás, em 3 de março de 1996, estavamos em um pavilhão de exposições lotado na Pittcon, em Chicago, e ligamos algo que acreditávamos que podia mudar a química analítica. Na época, não parecia histórico — parecia frágil.
Éramos apenas um punhado de pessoas que compreendia o quão delicado aquele momento era. Kevin McNitt e eu passamos anos trabalhando nesse instrumento — o primeiro espectrômetro de massa de tempo de voo com cromatografia gasosa (GC-TOFMS) LECO Pegasus. Para todos os demais, era simplesmente mais um novo sistema em uma feira de negócios. Para nós e alguns outros, representava anos de experimentos, noites sem dormir e a convicção de que a espectrometria de massa por tempo de voo poderia finalmente revelar algo que a cromatografia vinha esperando.
O Começo
A história começou em Okemos, Michigan, em uma pequena startup chamada Meridian Analytical Instruments. Kevin e eu trabalhávamos lá naquilo que viria a ser o primeiro detector rápido de tempo de voo prático para cromatografia gasosa.

Slava Artaev (à esquerda) e Kevin McNitt (à direita) apresentando o FCD650 na Pittcon 1995. Essa tecnologia viria a se tornar, mais tarde, o Pegasus.
No Pittcon em 1995, apresentamos o FCD650 Fast Chromatographic Detector, um sistema protótipo capaz de adquirir espectros de massa completos em velocidades extremamente altas. Os cientistas imediatamente reconheceram o potencial. Misturas complexas puderam de repente ser analisadas sem perder a informação de picos cromatográficos muito estreitos.
Pouco tempo depois, a LECO Corporation adquiriu a Meridian Analytical Instruments e nos convidou a dar continuidade ao trabalho dentro de uma organização muito maior. De repente, o desafio mudou. Não estávamos mais construindo protótipos. Tínhamos que criar um instrumento totalmente comercial, e precisávamos fazer isso rapidamente.
Nomeando o Pegasus
Todo instrumento, mais cedo ou mais tarde, precisa de um nome. Durante aqueles primeiros meses de desenvolvimento, conversávamos frequentemente sobre velocidade, potência e a ideia de capturar informações que outros instrumentos deixavam passar. Alguém sugeriu “Pegasus”, o cavalo alado da mitologia grega. O nome pegou na hora.

O Pegasus simbolizava velocidade e voo, mas também transmitia a sensação de que o instrumento estava levando a química analítica a novos horizontes. Não era simplesmente mais um espectrômetro de massa. Representava uma maneira diferente de observar sistemas químicos complexos.
Páginas Amarelas
Uma das imagens que ainda guardo daquela época é uma página de caderno amarela preenchida com anotações e números manuscritos.

Fazia parte do meu caderno de laboratório da fase final de testes antes da Pittcon. A página mostra os primeiros resultados dos testes de GC-TOFMS, registrados enquanto verificávamos se o sistema era capaz de capturar picos cromatográficos extremamente rápidos.
Na época, era apenas documentação, mais uma página em uma longa série de experimentos. Olhando para trás agora, aquela página amarela parece um pequeno artefato histórico. Ela registra o momento em que percebemos que o instrumento estava finalmente funcionando da maneira que esperávamos.
Chicago, março de 1996
Quando o instrumento Pegasus chegou à Pittcon, em Chicago, tínhamos apenas um curto intervalo de tempo para montá-lo e testá-lo. Nosso único dia livre acabou sendo essencial.
Quando ligamos o instrumento pela primeira vez no salão de exposições, nada aconteceu. O problema acabou sendo elétrico. A alimentação disponível no salão era diferente da esperada pelo instrumento. Passaram-se horas enquanto verificávamos os cabos, ajustávamos as conexões e tentávamos estabilizar o sistema eletrônico. Por fim, o sistema começou a funcionar. Na manhã de 3 de março de 1996, o Pegasus estava pronto.
Uma das demonstrações que apresentamos envolveu separações rápidas por cromatografia em gás (GC) de compostos clorados, revelando como o sistema era capaz de registrar espectros completos em picos com largura de apenas frações de segundo. Para muitos cientistas que assistiam à tela naquele dia, as implicações eram óbvias. Esse instrumento era capaz de capturar informações que antes se perdiam.
Quando os Dados Falam
O que mais me lembro com clareza daquela semana não é o estresse de montar o instrumento. São as reações dos cientistas que o viram em funcionamento. As pessoas se reuniram ao redor do estande à medida que os espectros apareciam na tela. Alguns fizeram perguntas técnicas. Outros simplesmente observavam. Muitos perceberam rapidamente o que isso significava para o trabalho deles. Misturas complexas, amostras ambientais, produtos petroquímicos, aromas e sabores — todos eles agora podiam ser estudados com muito mais clareza. O Pegasus não se limitou a gerar dados mais rapidamente. Ele permitiu que os químicos enxergassem melhor o que realmente estava presente em suas amostras.
Após a Pittcon
O trabalho prosseguiu rapidamente após a exposição. Mais tarde naquele ano, na conferência da ASMS de 1996, em Portland, apresentamos os primeiros resultados científicos obtidos com o sistema Pegasus.

A partir daí, a plataforma continuou a evoluir. Novas gerações de instrumentos Pegasus ampliaram o desempenho, introduziram técnicas avançadas de processamento de dados (como a deconvolução espectral) e, por fim, possibilitaram o uso de técnicas multidimensionais modernas, como a GCxGC-TOFMS.

O que começou como um projeto ambicioso dentro de uma pequena startup havia se tornado uma nova plataforma analítica.
30 Anos Depois
Três décadas depois, os sistemas GC-TOFMS derivados daqueles primeiros instrumentos Pegasus são utilizados em laboratórios em todo o mundo.

Eles ajudam cientistas a estudar poluentes ambientais, autenticar produtos alimentícios, explorar vias metabólicas e entender sistemas químicos complexos em inúmeras indústrias.
Quando penso naquela semana em Chicago, ainda me lembro do momento em que o instrumento finalmente gerou seus primeiros dados no salão de exposições. Após meses de incerteza, o sistema funcionou. E, com aquele primeiro espectro, o Pegasus realmente decolou.
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